
Pormenor de painel de azulejos na Mesquita Central de Lisboa, com os atributos de Deus: o Ramadão “cria uma ligação especial do crente com o Criador, que nos faz reflectir o que somos e o que temos”. Foto © António Marujo
A partir desta segunda-feira, 11 de Março, quando os muçulmanos de todo o mundo – e também os portugueses – entram no mês de Ramadão (de 1445 segundo o calendário muçulmano). Este é o mês mais importante do calendário lunar, seguido na tradição islâmica, motivo para o 7MARGENS iniciar a publicação de um “Diário de um jejuador”, da autoria de Khalid Jamal, conselheiro da presidência da direcção da Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL). Esta iniciativa sucede à publicação, nos últimos seis dias, de um diário de peregrinação entre o Minho e Santiago de Compostela.
Khalid Jamal centrará a sua reflexão naquilo que será a sua experiência durante este mês, em que os crentes muçulmanos são convidados a jejuar, bem como a praticar mais intensamente a oração e a partilha, ou esmola. Um tempo em que, como dizia há dias ao 7MARGENS o xeque David Munir, da Mesquita Central de Lisboa, se “cria uma ligação especial do crente com o Criador, que nos faz reflectir o que somos e o que temos” e valorizando ao mesmo tempo o que cada pessoa tem e pode “partilhar com os que não têm”.
O mês de Ramadão dura entre 29 e 30 dias, sendo o nono e o mais importante do calendário islâmico que, por ser lunar, desloca todos os anos a época em que ele é assinalado – atravessando, em 30 anos, todas as estações do ano. O Ramadão inicia-se com o avistamento da lua nova após o mês de Shaban – o que aconteceu neste domingo. Ramadão foi também o mês em que o Alcorão foi revelado a Maomé, segundo a tradição islâmica
Não é a primeira vez que Khalid Jamal testemunha no 7MARGENS a sua experiência sobre o Ramadão. Há quatro anos, escreveu sobre o que experimentava, na parte final do mês sagrado. Recentemente, no final de Janeiro, Khalid Jamal publicou um texto que esteve na base da sua intervenção num debate realizado no Porto, e no qual esteve à conversa com um judeu e um cristão. “Encontro 1001 razões, que normalmente elencam o catálogo de fundamentos para o diálogo e que nem por serem mais corriqueiras se tornam inverdades”, escrevia ele na altura.
Um outro testemunho foi sobre a sua participação, enquanto muçulmano, na missa presidida pelo Papa Francisco nos Emirados Árabes Unidos, em Fevereiro de 2019. Finalmente, Jamal foi ainda co-autor, com o então responsável do Gabinete de Imprensa do Opus Dei, Pedro Gil, de um texto sobre diálogo inter-religioso.
O Ramadão coincide este ano, em grande parte, com a Quaresma cristã, tempo de 40 dias de preparação para a Páscoa (31 de Março) e durante a qual se propõem igualmente as práticas do jejum, da oração e da partilha. Com a ideia de um caminho espiritual diferente, o 7MARGENS publicou durante a última semana o diário do caminho de Cláudio Louro, animador pastoral e professor de Educação Moral e Religiosa Católica, que também se dedica à música e ao teatro musical.
Nos textos, o peregrino de Santiago foi propondo sucessivamente fazermo-nos pontes, fazermo-nos água, fazermo-nos travessia, fazermo-nos encontro, e fazermo-nos aceitação.









