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relatorio caritas internacionalis 2019, Foto de capa

Cáritas Internacional reforça apelos ao cessar fogo global e ao perdão da dívida dos países pobres

| 18/07/2020

Cópia de relatorio caritas internacionalis 2019

Colagem de fotos de migrantes de todo o mundo, usada para ilustrar a capa do relatório anual da Cáritas Internacional.

 

A Cáritas Internacional apresentou esta quinta-feira o seu relatório anual relativo a 2019, tendo apelado ao cessar-fogo global e ao perdão da dívida dos países mais pobres como a única via para “salvar as vidas de milhões de pessoas”, reforçando assim os apelos já feitos pelo secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, e pelo Papa.

“A dívida internacional dos países mais pobres da África, algumas partes da América Latina e Ásia teve grandes consequências sociais e económicas. O Papa Francisco tem sempre insistido para que a dívida seja cancelada, a fim de dar a esses países a possibilidade de seguir caminhos de recuperação e desenvolvimento”, disse o presidente da instituição, o cardeal filipino Luis Antonio Tagle, durante uma conferência de imprensa virtual realizada esta quinta-feira, 16 de julho.

Recordando que somos “uma só família humana”, Tagle assinalou que “o sentimento de proximidade que a pandemia despertou, afetando a todos, não pode ser esquecido sem deixar um sinal”. Um sinal que, para o presidente da Cáritas Internacional, deve refletir-se na “capacidade de combater com força as condições dramáticas como a fome mundial, guerras e violência que esmagam vidas humanas e a dignidade das pessoas”, recuperar o olhar inclusivo do Papa Francisco na encíclica Laudato si’ e trabalhar por ações concretas, como a de “um cessar-fogo global”.

O secretário-geral da Cáritas Internacional, Aloysius John, sublinhou que a instituição já fez um “pedido claro” aos ministros das Finanças do G20, que estarão reunidos este sábado, 18 de julho, para que tomem medidas concretas e cancelem as dívidas dos países pobres, de modo a “impedir a catástrofe para centenas de milhões de pessoas”.

Na perspetiva dos representantes da confederação internacional da Cáritas, os montantes relativos ao perdão da dívida deverão ser aplicados em “projetos de desenvolvimento locais” e bastará uma pequena parte desse montante para já “salvar as vidas de milhões de pessoas”.

A diretora da Cáritas no Líbano, Rita Rhayem, apresentou o seu país como um dos exemplos em que o perdão da dívida, o fim das sanções económicas e o cessar-fogo seriam determinantes.

“Um país à beira do colapso”, assim descreveu Rhayem o Líbano, explicando que ali se está a viver “a pior situação económica de sempre”, com a moeda a desvalorizar 80% e a necessidade de combater “duas pandemias: a covid-19 e a fome”.

Também para o cardeal Wilfrid Fox Napier, presidente da Cáritas da África do Sul, a “dívida internacional” é uma “grande limitação ao crescimento e desenvolvimento da África”. Napier criticou as relações desiguais entre os países ocidentais e africanos, denunciando a “dependência quase total das antigas potências ocupantes”.

Apesar do cenário de crise, o secretário-geral da Cáritas Internacional assegurou que a organização, que desde o início da pandemia já mobilizou mais de 12 milhões de euros para ajudar 15 milhões de pessoas, está a preparar-se para o pós-pandemia.

Segundo Aloysius John, a ajuda vital da Cáritas tem estado a chegar aos mais vulneráveis em países como Myanmar, Brasil, Venezuela, República Centro-Africana e Líbano, e chegará a muitos mais.

“A confederação da Cáritas é um organismo vivo que está em permanente mudança e adaptação”, disse, reafirmando a promessa de que a organização continuará a defender, servir e acompanhar os pobres e que está cada vez mais comprometida com a missão da “globalização da solidariedade”.

 

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