Geração Laudato Si: movimento de jovens católicos pelo ambiente nasce hoje no Panamá

| 25 Jan 19 | Boas Notícias, Casa Comum, Jovens: Sínodo e Jornada Mundial da Juventude

Sábado, 19 de janeiro, mil voluntários de muitos países estiveram na Praia Malecon, junto à cidade do Panamá, a recolher mais de 15 toneladas de lixo; foto JMJ 2019

 
São jovens, são católicos, estão preocupados com o futuro do planeta e pretendem unir esforços a nível mundial para protegê-lo. Decidiram formar um novo movimento dentro da Igreja e chamar-se Geração Laudato Si, numa clara referência à encíclica publicada pelo Papa Francisco “sobre o cuidado da casa comum”, em 2015. Este novo movimento será apresentado oficialmente esta sexta-feira, 25 de janeiro, no Panamá, no palco principal daquelas que prometem ser as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) mais ecológicas de sempre.
 
À Geração Laudato Si já aderiram diversos grupos de jovens como o Movimento Internacional de Estudantes Católicos, a Rede de Jovens Católicos pela Sustentabilidade Ambiental em África, a Green Alliance Don Bosco, as Iniciativas Cáritas Jovens, entre outros. O projeto está a ser coordenado pelo Movimento Católico Mundial pelo Clima e surge da verificação, por parte dos jovens, de que “é necessário coordenar os esforços, aprender uns com os outros e maximizar a contribuição de todos”, como se pode ler no  “Manifesto de Jovens da JMJ 2019 pelo cuidado da casa comum“, publicado esta semana.
 
 
“Não estamos a fazer o suficiente”
 
Sob o título “Conversão Ecológica em Ação”, o manifesto evidencia as conclusões do III Congresso Internacional sobre o Cuidado da Criação, que decorreu na Universidade Católica do Panamá no âmbito das JMJ, e incita todas as pessoas, em particular os jovens católicos, “a uma ação urgente para proteger o planeta”. 
 
“Estamos conscientes de que nós, jovens católicos, não estamos a fazer o suficiente. Apesar dos compromissos assumidos em conferências anteriores sobre o cuidado da criação, a propósito das Jornadas Mundiais da Juventude 2013 e 2016, ainda não estamos a mobilizar-nos o suficiente pela nossa casa comum”, sublinha o documento.
 
Um dos novos compromissos assumidos pelos jovens neste manifesto passa por “pedir insistentemente aos bispos e líderes da Igreja que levem mais a sério a crise ecológica”. E lançam um  desafio concreto para que, até 2030, “todas as estruturas eclesiais usem 100% de energias renováveis” e reduzam a zero as emissões de carbono.
 
 
800 estações de reciclagem
 
Por estes dias, nas JMJ, a mensagem da encíclica Laudato Si’  (Louvado sejas) já tem sido posta em prática. O Movimento Católico Mundial pelo Clima trabalhou de perto com a organização das Jornadas para assegurar que o cuidado com a criação fosse tido em conta ao longo de todo o evento.
 
Para ajudar a esse objetivo, foram construídas 800 estações de reciclagem para servir os diversos espaços em que decorrem as JMJ. O programa tem incluídos inúmeros momentos de reflexão e oração baseados nos ensinamentos do Papa Francisco na Laudato Si’, e está aberta ao público uma exposição fotográfica inspirada pela encíclica. No passado dia 23, houve até um concerto com o objetivo de promover a mensagem daquele documento e mobilizar os jovens para a questão da crise ecológica. Já antes, dia 19, mil voluntários de muitos países tinham estado a apanhar restos de madeira, plásticos, pneus e outros materiais na Praia Malecon, junto à cidade do Panamá, tendo recolhido mais de 15 toneladas de lixo.
 
Esta sexta-feira, 25, no palco principal do evento, representantes do Movimento Católico Mundial pelo Clima irão apresentar aos participantes das JMJ a iniciativa Geração Laudato Si e convidá-los a dar “o maior abraço do mundo”, para mostrar que os jovens estão unidos na preocupação e cuidado com a casa comum.

Breves

Há seis anos, a primeira homilia do Papa em Santa Marta

Foi uma das fotografias icónicas daquele Março de 2013: dia 22, nove dias após a eleição e três dias após a celebração de início de pontificado, o Papa Francisco celebrou missa com os jardineiros e empregados da recolha do lixo do Vaticano; no final da missa, enquanto alguns dos funcionários do Estado pontifício permaneciam nos bancos, Francisco sentou-se atrás, num momento de oração

Parlamento rejeita voto de pesar e solidariedade com Tibete

Os votos do PS, PSD, PCP uniram-se esta sexta-feira no Parlamento para recusar um voto de pesar pelas vítimas da ocupação chinesa do Tibete ao longo de 60 anos e de solidariedade com o povo tibetano. O voto foi proposto pelo deputado André Silva, do PAN (Pessoas Animais e Natureza.)

Boas notícias

Uma Semana da Fraternidade judaico-cristã contra o anti-semitismo

Uma Semana da Fraternidade judaico-cristã contra o anti-semitismo

A realização da Semana da Fraternidade, uma iniciativa da Sociedade para a Cooperação Judaico-Cristã da Alemanha que tem como objectivos a promoção do diálogo entre judeus e cristãos, a colaboração na luta contra toda a forma de anti-judaísmo e anti-semitismo e a cultura da memória das vítimas do Holocausto, coincide este ano com um contexto de crescente anti-semitismo na Alemanha.

É notícia 

Cultura e artes

O armário de Frédéric Martel

A tese central do livro, desdobrada em 14 regras, é a de que a Igreja Católica está a ser destruída pela doutrina moral que impõe o celibato e a castidade, ao mesmo tempo que abomina a homossexualidade, mas convive com uma enorme tolerância disciplinar perante práticas homossexuais, incluindo o encobrimento de abusos sexuais.

“Sombra Silêncio” – poesia para vigiar o Mistério

Assim descreve Carlos Poças Falcão, numa breve nota final, os poemas reunidos em Sombra Silêncio: «Cançonetas de um Verão que logo passam, mas que para sempre ficam ligadas à memória mítica de um rosto, de um clima, de um lugar – assim estes poemas. Em caso algum me biografei. Mas em todos eles me vejo e me estranho.»

Gomes Eanes: paradigma do espírito reformista no século XV, elo português no retiro do Papa

Estando o tema da Reforma da Igreja Católica, mais uma vez, na ordem do dia é de particular pertinência evocar a voz e o percurso de uma figura maior do universo religioso português do século XV e do diálogo luso-italiano que teve lugar nesta centúria: D. Gomes Eanes, tradicionalmente conhecido como o Abade de Florença. A sua voz ressoa em centenas de registos exemplificativos da abertura de Portugal às correntes reformistas e de observância que então percorriam a Cristandade.

Pessoas

Redescobrir a fé, uma aventura maior do que emigrar

Redescobrir a fé, uma aventura maior do que emigrar

Marisa Fernandes veio de Cabo Verde para Portugal, à procura da concretização de um sonho que ficou pelo caminho. Mas quer continuar a lutar, agora com a sua filha, a quem quer transmitir a experiência de um Deus com quem se pode conversar. E diz que foram a procura e a dúvida que a levaram à fé como uma experiência de “amor e tranquilidade.”

Sete Partidas

Pacto de Luz

“Por cá o Inverno vai bem alto, que é o mesmo que dizer temperaturas muito baixas e neve fresca todos os dias. Mas é a escuridão que inquieta e desiquilibra, fazendo-me a cada ano por esta altura, desejar regressar ao meu tão amado Sul.”

Visto e Ouvido

Agenda

Mar
27
Qua
Apresentação do livro «Peregrino da Liberdade Dalai Lama XIV», de Ricardo de Saavedra @ El Corte Inglés - Lisboa
Mar 27@18:30_19:30
Abr
6
Sáb
Apresentação do livro “Descalço também se caminha”, do padre João Aguiar @ Espaço Vita
Abr 6@21:00_22:00
Abr
8
Seg
Os católicos, a Igreja e o direito à revolução. A ideia de revolução e as opções revolucionárias em Portugal durante o Estado Novo @ Universidade Católica Portuguesa (Lisboa)
Abr 8@15:00_17:00

Ver todas as datas

Entre margens

Do diálogo inter-religioso às teologias pluralistas

No futuro iremos certamente ver confissões religiosas a desenvolver teologias pluralistas. O caminho passa, acredito, por evitar o sincretismo e procurar uma transformação profunda na forma como as pessoas entendem o universo das religiões e o lugar que a sua religião ocupa nesse universo. As teologias pluralistas devem igualmente transmitir a ideia de que nenhuma religião em particular é a protagonista principal da história religiosa da humanidade. Esse protagonismo apenas pode ser atribuído ao próprio Criador.

O que (quem) vemos, quando olhamos as margens?

Cristo não temeu a margem: não nos feriu, não nos gritou, não nos condenou, não se envergonhou de nós. Por isso, neste período quaresmal, crentes e não-crentes, tentemos aprender com Ele, com o Seu exemplo, algo que nos ajude a transformar as nossas margens em autênticos encontros com a Humanidade.

Matar é cobardia, coragem é conviver!

Imaginemos que um islamita armado entrava num domingo na Sé de Lisboa e assassinava cinquenta católicos, entre adultos e crianças. Foi o que fez o supremacista branco Brenton Tarrant. Só que os mortos são muçulmanos, abatidos em duas mesquitas de Cristchurch (Nova Zelândia). Para alguns é mais fácil a cobardia do assassinato do que a coragem da convivência.

Fale connosco