Papa fala da felicidade em missa histórica com 4 mil muçulmanos a assistir

| 6 Fev 19 | Destaques, Igreja Católica, Sem categoria, Últimas

Um aspecto dos mais de 130 mil crentes que participaram na missa presidida pelo Papa, no Zayed Sports City; fotografias © Pedro Gil

“Felizes” – “a palavra com que Jesus começa a sua pregação no Evangelho de Mateus” – foi também a palavra inicial da homilia na eucaristia celebrada terça-feira de manhã (madrugada em Lisboa), em Abu Dhabi, a primeira que um Papa celebrou na Península Arábica. Entre as 130 mil pessoas que participaram, estariam representadas, segundo a organização, mais de 100 nacionalidades, mostrando bem o mosaico dos trabalhadores imigrados nos Emirados Árabes Unidos, bem como uns quatro mil muçulmanos.

Participaram também cristãos de outras denominações e de diferentes ritos católicos presentes nos países do Médio Oriente: caldeus, coptas, greco-católicos, greco-melquitas, latinos, maronitas, siro-católicos, siro-malabares e siro-malancares.

Na homilia, Francisco falou do texto evangélico das Bem-aventuranças, detendo-se particularmente em duas: “Felizes os mansos” e “felizes os pacificadores”. Considerou que “não é feliz quem agride ou subjuga” e formulou um pedido para que não haja “nem lutas nem disputas”. O Papa pediu ainda “a graça de preservar a paz, a unidade, de cuidar uns dos outros numa bela fraternidade, onde não haja cristãos de primeira classe e de segunda”.

Para Francisco, viver as Bem-aventuranças é algo que não requer gestos fulgurantes. “Olhemos para Jesus: não deixou nada escrito, não construiu nada de imponente. E, quando nos disse como viver, não pediu para erguermos grandes obras ou nos salientarmos realizando feitos extraordinários. Uma única obra de arte, possível a todos, nos pediu para realizarmos: a da nossa vida”.

As Bem-aventuranças são, assim, “um mapa de vida: não pedem ações sobre-humanas, mas a imitação de Jesus na vida de cada dia”. Elas convidam-nos “a manter puro o coração, a praticar a mansidão e a justiça venha o que vier, a ser misericordiosos com todos, a viver a aflição unidos a Deus. É a santidade da vida diária, que não precisa de milagres nem de sinais extraordinários”.

Aliás, para o Papa a vida cristã é marcada pela simplicidade e por não ser uma lista de prescrições: “Não serás feliz, mas és feliz: aqui está a primeira realidade da vida cristã. Esta não aparece como uma lista de prescrições exteriores para se cumprir, nem como um conjunto complexo de doutrinas para se conhecer. Primariamente, não é isso, mas saber que somos, em Jesus, filhos amados do Pai. É viver a alegria desta bem-aventurança, é compreender a vida como uma história de amor.”

Já no regresso ao Vaticano, a paz em vários pontos do planeta foi um dos temas que o Papa abordou na conferência de imprensa a bordo do avião que o transportou de Abu Dhabi para Roma. Sobre a guerra no Iémen, onde os Emirados participam na coligação de países árabes que apoia o Governo do país contra grupos revoltosos, referiu ter encontrado “boa vontade para iniciar um processo de paz”.

Francisco referiu também que analisará a carta que lhe foi endereçada por Nicolás Maduro para ajudar a resolver o conflito na Venezuela, mas estabeleceu como condição prévia que ambas as partes solicitem a sua intervenção.

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Astérix inclui protagonista feminina que se assemelha a Greta no seu novo álbum novidade

Astérix e Obélix, dois dos nomes mais icónicos da banda desenhada franco-belga, regressam no 38º álbum da dupla, que celebra igualmente os 60 anos da série criada em 1959 por Albert Uderzo e René Goscinny. Nesta história, há uma nova personagem: Adrenalina, filha desconhecida do lendário guerreiro gaulês Vercingétorix, que introduz o tema das diferenças entre gerações.

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O chamado “Nobel” da Economia, ou Prémio Banco da Suécia de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, foi atribuído esta segunda-feira, 14 de outubro, pela Real Academia Sueca das Ciências aos economistas Abijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer, graças aos seus métodos experimentais de forma a aliviar a pobreza.

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“Aquele que vive – uma releitura do Evangelho”, de Juan Masiá

Esta jovem mulher iraniana, frente ao Tribunal que a ia julgar, deu, autoimolando-se, a sua própria vida, pelas mulheres submetidas ao poder político-religioso. Mas não só pelas mulheres do seu país. Pelas mulheres de todo o planeta, vítimas da opressão, de maus tratos, de assassinatos, de escravatura sexual. Era, também, assim, há 2000 anos, no tempo de Jesus. Ele, através da sua mensagem do Reino, libertou-as da opressão e fez delas discípulas. Activas e participantes na Boa Nova do Reino de Deus.

Arte e arquitectura religiosa com semana cheia em Lisboa

Visitas à arte e arquitecura de igrejas e conventos e um curso livre sobre Arte Moderna e Arte da Igreja são várias iniciativas previstas para os próximos oito dias em Lisboa. O curso decorrerá na Capela do Rato (Lisboa), entre segunda e sexta da próxima semana (dias 23 a 27) e na Igreja de Moscavide (sábado, 28) e pretende evoca o livro publicado há 60 anos pelo padre Manuel Mendes Atanásio, mas também os 50 anos do fim do MRAR.

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Manuela Silva: “Gostei muito de viver!”

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Sete Partidas

Hoje não há missa

Na celebração dos 70 anos da República Popular da China (RPC), que se assinalam no próximo dia 1 de outubro, são muitas as manifestações militares, políticas, culturais e até religiosas que se têm desenvolvido desde meados de setembro. Uma das mais recentes foi o hastear da bandeira chinesa em igrejas católicas, acompanhado por orações pela pátria.

Visto e Ouvido

Agenda

Out
17
Qui
Apresentação do livro “Dominicanos. Arte e Arquitetura Portuguesa: Diálogos com a Modernidade” @ Convento de São Domingos
Out 17@18:00_19:30

A obra será apresentada por fr. Bento Domingues, OP e prof. João Norton, SJ.

Coorganização do Instituto São Tomás de Aquino e do Centro de Estudos de História Religiosa. A obra, coordenada pelos arquitetos João Alves da Cunha e João Luís Marques, corresponde ao catálogo da Exposição com o mesmo nome, realizada em 2018, por ocasião dos 800 anos da abertura do primeiro convento da Ordem dos Pregadores (Dominicanos em Portugal.

Nov
8
Sex
Colóquio internacional Teotopias – Sophia, “Trazida ao espanto da luz” @ Univ. Católica Portuguesa - Polo do Porto
Nov 8@09:00_19:30

Fundacional para a percepção e expressão do mistério, a linguagem poética é lugar de uma articulação paradoxal, nada acrescentando à representação descritiva do mundo [Ricoeur]. Encontrando-se o positivismo teológico em crise, paradigma que sempre cedeu demasiado à obsessão pela verdade, tem-se vindo a notar um crescente interesse pelo estudo teológico de produções literárias como lugares de redenção da linguagem referencial, própria do discurso tradicional da teologia. Na sua performatividade quase litúrgica, a linguagem poética aproxima o objecto do discurso teológico do seu eixo verdadeiramente referencial: “a transluminosa treva do Silêncio” [Pseudo-Dionísio Areopagita].

Cátedra Poesia e Transcendência | Sophia de Mello Breyner [UCP Porto], em parceria com a Faculdade de Teologia e o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, organiza um congresso no âmbito das hermenêuticas do religioso no espaço literário, com especial incidência sobre a sua dimensão poética.
O colóquio terá lugar na Universidade Católica Portuguesa | Porto, nos dias 8 e 9 de novembro de 2019, e dará particular atenção aos seguintes eixos temáticos: linguagem poética e linguagem teológica: continuidades e descontinuidades; linguagem poética e linguagem mística: inter[con]textualidades; linguagem poética e sagrado: aproximações estético-fenomenológicas.

Nov
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Sáb
Colóquio internacional Teotopias – Sophia, “Trazida ao espanto da luz” @ Univ. Católica Portuguesa - Polo do Porto
Nov 9@09:00_19:30

Fundacional para a percepção e expressão do mistério, a linguagem poética é lugar de uma articulação paradoxal, nada acrescentando à representação descritiva do mundo [Ricoeur]. Encontrando-se o positivismo teológico em crise, paradigma que sempre cedeu demasiado à obsessão pela verdade, tem-se vindo a notar um crescente interesse pelo estudo teológico de produções literárias como lugares de redenção da linguagem referencial, própria do discurso tradicional da teologia. Na sua performatividade quase litúrgica, a linguagem poética aproxima o objecto do discurso teológico do seu eixo verdadeiramente referencial: “a transluminosa treva do Silêncio” [Pseudo-Dionísio Areopagita].

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Num debate em contexto universitário, precisamente em torno da questão do politicamente correcto, Ricardo Araújo Pereira afirmou que, embora fosse contra o “politicamente correcto”, não era a favor do “politicamente incorrecto”.

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