A família é essencial e a família somos todos nós
A multiculturalidade é cada vez mais realidade com que devemos aprender a viver e, para isso, é fundamental propiciar, facilitar e cooperar no processo de integração ou de inclusão de quem nos procura, aproveitando o seu saber e mais-valia para construir pontes e nunca obstáculos. No entanto, vivemos numa sociedade que, infelizmente, ainda se alimenta de pré-conceitos discriminatórios, seja em razão da nacionalidade, da raça, da etnia ou da religião. É importante desmistificar e compreender que o fenómeno da imigração em Portugal pode ser e é efectivamente benéfico para o nosso país, nomeadamente no combate ao envelhecimento precoce da população, contribuindo para o crescimento económico, principalmente quando a imigração é essencialmente laboral, para a sustentabilidade da Segurança Social e para o enriquecimento cultural do país.
Isto significa que os estrangeiros, in casu, os imigrantes, gozam da generalidade dos direitos, liberdades e garantias pessoais, como sejam o direito à vida, à integridade e identidade pessoais, ao desenvolvimento da personalidade, à capacidade civil, à cidadania, ao bom nome e reputação, à imagem, à palavra, à reserva da intimidade da vida privada e familiar, à protecção legal contra quaisquer formas de discriminação, à liberdade, à segurança, entre tantos outros legal e constitucionalmente consagrados.
Além disso, e como forma de garantir a efectivação destes direitos, podem os imigrantes aceder ao direito e aos tribunais como forma de reagir contra a não efectivação ou a privação do seu exercício. E é essa liberdade ou esse direito de acesso aos tribunais que são postos em causa quando um estrangeiro, porque indocumentado, tem receio de recorrer ao juiz e às autoridades. É verdade que ainda temos um longo caminho a percorrer; é verdade que, na prática, por vezes, não é isso que sucede, o que é incompreensível num país que começou por ser um país de emigrantes, que praticamente se viam obrigados a emigrar para sobreviver, e que apenas há cerca de cinco décadas lida agora com este fenómeno de imigração.
Já foi identificado há muito um conjunto de medidas distribuídas por diversas áreas sectoriais, que constituem uma importante conquista social, por consubstanciarem uma manifestação da preocupação constante do Estado no reconhecimento dos direitos, importante barómetro de um Estado de Direito Democrático que se espera atender aos mais elementares direitos fundamentais. Esta preocupação deverá assentar em vários princípios, onde se destacam:
– A visão positiva da imigração, como um contributo económico, social e cultural; a afirmação do Estado como principal aliado na integração dos imigrantes; a abertura com humanidade, o acolhimento com hospitalidade e a integração com mais cidadania;
– A responsabilidade acrescida na concepção de políticas de integração, enquanto país com uma longa história de emigração (e que, por isso, conhece as reivindicações e anseios dos imigrantes nos países de destino e que, também por isso, tem um dever moral de tratar bem e propiciar boas condições de vida);
– Afirmação do princípio da interculturalidade, da participação e da co-responsabilidade em todos os domínios da sociedade (estimulando-se os imigrantes a assumirem-se como protagonistas participantes e co-responsáveis pelas políticas de integração e não apenas seus beneficiários);
– Reconhecimento dos direitos e deveres dos imigrantes; com igualdade de oportunidades para todos e da capacidade empreendedora dos imigrantes como uma mais-valia para o desenvolvimento económico, social e cultural da sociedade de acolhimento; e
– Direito a viver em família, reconhecendo o papel estruturante da mesma no processo de integração.
Mais concretamente, relativamente à família, prescreve o art. 36.º da Constituição da República Portuguesa que «todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade». Como forma de permitir o efectivo exercício desse direito, a lei da imigração permite o reagrupamento familiar com membros da família, ainda que se encontrem ilegalmente em território nacional, bastando-se a lei com a sua entrada regular em Portugal (por exemplo, com um mero visto de turismo) e que dependam ou coabitem com o titular de uma autorização de residência válida, como seja o cônjuge, filhos menores ou incapazes, incluindo mesmo filhos maiores, familiares ascendentes em linha recta e em primeiro grau a cargo e irmãos menores sob tutela, o que é claramente mais consentâneo com o respeito pela família e o direito à vida familiar.
É caso para dizer, e assim concluímos, que a família é essencial e a família somos todos nós.
Carlos Pinto de Abreu é advogado
[related_posts_by_tax format=”thumbnails” image_size=”medium” posts_per_page=”3″ title=”Artigos relacionados” exclude_terms=”49,193,194″]
Breves
José Allamano e a Consolata
Exposição fotográfica revela 100 anos de história das missões
Por ocasião dos 100 anos da morte de São José Allamano, assinalados este ano, o Consolata Museu, em Fátima, tem patente ao público uma exposição dedicada a este fundador dos dois institutos missionários. [Texto de Juliana Batista].
Relatório Centro Rossing
Jerusalém: ataques violentos a cristãos quase duplicaram em dois anos
Os ataques violentos a cristãos em Israel e em Jerusalém oriental ocupada estão a tornar-se cada vez mais frequentes, tendo quase duplicado nos dois últimos anos, de acordo com organizações israelitas citadas pelo órgão público de rádio alemão Deutsche Welle (DW).
Apelo ao Governo
Cristãos do Bangladesh querem feriado no Domingo de Páscoa e maior representação na vida pública
Um cordão humano com mais de 100 pessoas exigiu, durante toda a manhã de dia 31 de março, em frente ao Clube Nacional de Imprensa, em Daca, que o Domingo de Páscoa fosse reconhecido pelo Governo do Bangladesh como feriado nacional. A concentração organizada pela Associação Cristã de Bangladesh reivindicou também lugares na vida pública reservados à representação dos cristãos e de outras minorias.
Sexta-feira Santa
Papa carrega a cruz e meditações da Via Sacra dão voz ao sofrimento dos povos do Médio Oriente
O Papa presidirá a todas as 14 estações da Via Sacra no Coliseu de Roma, carregando a cruz pessoalmente durante toda a liturgia, que será marcada pelas meditações escritas pelo frei franciscano Francesco Patton, ex-Custódio da Terra Santa (2016-2025) e que atualmente vive no santuário do Memorial de Moisés no Monte Nebo, na Jordânia.
Boas notícias
Apelo de Metz
Com Leão XIV, líderes das grandes religiões assumem compromisso de união pela paz e dignidade humana
Os representantes das principais tradições religiosas presentes em França comprometeram-se esta segunda-feira, na cidade de Metz, a aprofundar o diálogo entre si, a educar as novas gerações para o conhecimento mútuo e a permanecerem unidos na promoção da justiça e da paz.
É notícia
Entre margens
[Entre Margens]
Joana Lopes: 88 cravos à sua memória
No próximo Domingo, 11 de Outubro, Joana Lopes, que nos deixou a 5 de Fevereiro deste ano, completaria 88 anos. A Joana teve um papel importante na resistência católica contra a ditadura, tendo levado a cabo lutas muito importantes em que denunciava a guerra colonial. Tinha também uma atividade cívica intensa, assumindo a defesa de lutas políticas essenciais que não são menos importantes no nosso tempo. [Texto de Filipe Moisés].
[Entre Margens]
Guerras e mudanças de regime
Já muitos se terão esquecido, ao acompanhar a trágica e intrincada evolução da guerra entre Estados Unidos e Israel e o Irão, que, no seu início, essa guerra foi apresentada como tendo por objetivo primacial o de derrubar um regime ditatorial e opressor, que há pouco tempo havia reprimido de forma violenta e mortífera a contestação de largas canadas da população sedentas de uma liberdade que essa guerra lhes haveria de proporcionar. [Texto de Pedro Vaz Patto].
[Entre Margens]
A consciência da consciência revela-nos o saber dentro do não-saber
Com efeito, o sentido do mistério absoluto que a vida é começa com a consciência da consciência. A própria filosofia, de resto, começa com a consciência da consciência. É que, com a consciência da consciência, o homem desperta, assombrado, para a realidade misteriosa e radical da sua própria existência, e da Existência enquanto tal, como um todo. [Texto de Rúben Azevedo].
Cultura e artes
Em 2016 eram quatro milhões
Só numa “app” há quase 20 milhões de pessoas que leem a Bíblia todos os dias
Mais de 18,5 milhões de pessoas em todo o mundo leem diariamente excertos da Bíblia através da aplicação da YouVersion, um crescimento de 13 por cento quando comparado com 2025, anunciou a empresa que está a preparar a segunda edição do Mês Global da Bíblia.
Rostos e Rumos
Adelino Ascenso, o padre missionário que quase foi monge budista
Uma rara experiência durante a juventude levou-o a sítios inóspitos como Katmandu, no Nepal. Na América Latina acompanhou na selva amazónica um pistoleiro durante dez dias. O missionário Adelino Ascenso, que viveu 12 anos no Japão, é o último entrevistado do programa Rostos e Rumos, parceria da TSF e do 7MARGENS.
Livro em cinco línguas
“Diário Privado do Papa Francisco” revelado em novembro
Em italiano, francês, espanhol, inglês e português: é nestas cinco línguas, para 94 países, que será editado a 24 de novembro o diário do Papa Francisco, anotado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, pela Editora do Vaticano.
7MARGENS é co-organizador
Como os média religiosos viveram a nova liberdade de imprensa pós-25 de Abril
“Liberdade de imprensa: revolução e democracia em Portugal” é o tema do colóquio que, no dia 22 de Outubro, colocará em debate, na Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Lisboa, investigadores e protagonistas do período pós-25 de Abril de 1974, para aprofundar questões relacionadas com a imprensa – incluindo a religiosa – durante a revolução democrática.
Sete Partidas
7Partidas
Vinte e cinco anos depois
Em 2001, vivíamos em San Francisco. Naquela segunda-feira, dia 11 de Setembro, fomos acordados pelo meu sogro, que nos ligava da Alemanha para avisar que os EUA estavam a ser atacados. Em San Francisco era ainda madrugada; em Nova Iorque passava das nove da manhã, e as duas torres já estavam a arder. [Texto de Helena Araújo].
Visto e Ouvido
Igreja tem política de “tolerância zero” aos abusos sexuais, mas ainda está em “processo de purificação”
Agenda
[ai1ec view=”agenda”]



















