“O grande sonho da Economia de Francisco é uma transformação na sociedade” – um debate dos Focolares em vídeo, nesta quinta, 30

| 30 Jul 20

Criar um modelo económico que não contribua para aumentar desigualdades é o objectivo do encontro de Assis.  Foto: Direitos reservados

 

“O grande sonho d’A Economia de Francisco é uma transformação na sociedade, uma transformação no modo como vemos o mundo.” A afirmação é do economista Ricardo Zózimo, num debate pré-gravado sobre a economia social no contexto da pandemia da covid-19, que na noite desta quinta-feira, 30 de Julho, às 21h30, será transmitido no canal do Movimento dos Focolares no YouTube.

Com esta iniciativa, os Focolares portugueses assinalam os 100 anos do nascimento de Chiara Lubich, a fundadora do movimento que tem como algumas das suas intuições mais importantes o diálogo ecuménico e inter-religioso, a vida comunitária, a promoção de um novo modelo económico e a evangelização pelas artes. Ao mesmo tempo, o debate desta quinta-feira pretende ser também um contributo para a preparação do encontro A Economia de Francisco, que decorrerá entre 19 e 21 de Novembro, em Assis, depois de ter sido adiado por causa da pandemia e da quarentena.

Com essa iniciativa, convocada pelo Papa para reunir jovens economistas e empresários, pretende-se formular um pacto, no espírito de São Francisco de Assis, que ajude a construir um modelo económico mais justo e sustentável, que dê protagonismo a quem hoje é excluído. Na carta que escreveu a convocar o encontro, o Papa apresenta a proposta de questionar as actuais “leis” económicas produtoras de desigualdade e exclusão e levar à construção de uma economia feita à medida das pessoas. Ou seja, uma economia socialmente justa, economicamente viável, ambientalmente sustentável e eticamente responsável.

Ricardo Zózimo, professor auxiliar de gestão na Universidade Nova de Lisboa (NovaSBE), diz que o seu sonho para o encontro de Assis “é partir de uma economia que se foca no valor” e no impacto: “Como é que provocamos impacto nas pessoas, nas empresas e no ambiente à nossa volta? Essa é a grande transformação que todos queremos ver.”

A economia actual tem “o foco no valor acrescentado e esse foco deixou o mundo com muitas cicatrizes, cicatrizes sociais nas relações entre as pessoas que vemos ao nosso redor”, diz Ricardo Zózimo no debate, de que o 7MARGENS antecipa alguns excertos.

O economista português considera-se “bastante entusiasmado”, porque já houve “algum tempo, devido ao adiamento de Março para Novembro, para aprofundar” como “mudar a economia para um novo modelo”.

 

Muita coisa a acontecer

Luigino Bruni, um dos principais responsáveis pela organização do encontro, acrescenta que há “várias coisas muito interessantes a acontecer”, na dinâmica de preparação do encontro. “Depois da crise da covid, muitas actividades já começaram com seminários digitais”, a um ritmo de duas ou três iniciativas, acrescenta o professor de economia na Universidade de Roma. O que quer dizer que os participantes não estão só à espera, mas estão já a viver o encontro A Economia de Francisco:

 

As comemorações do centenário de Chiara Lubich, iniciadas no último 7 de Dezembro de 2019, em Trento (Norte de Itália, cerca de 200 quilómetros a nordeste de Veneza), onde ela nasceu, prolongam-se até final deste ano. (O programa das comemorações é divulgado e actualizado em permanência na página oficial do Movimento dos Focolares.)

Nesta primeira iniciativa, intitulada Impacto Comunitário, haverá também uma homenagem ao poeta brasileiro Heleno Oliveira, membro dos Focolares e sobre cuja poesia escreveu Sophia de Mello Breyner Andresen: “A poesia de Heleno é um mundo simultaneamente uno e múltiplo. É simultaneamente um caminho e o diário desse caminho. É uma busca espiritual que passa através de uma busca intelectual. É caminho e é encruzilhada. A sua poesia é escrita entre a luz e a escuridão, entre peso e graça. Entre o esplendor múltiplo da terra e o escândalo do mundo. Entre a beleza que o homem criou e a dor, o abuso e a opressão.”

Dois outros vídeo-debates terão lugar no dia 1 de Outubro e 10 de Dezembro de 2020, sobre os temas Impacto Intergeracional e Impacto Ecológico. As comemorações do centenário no nascimento de Chiara Lubich, sob o lema Celebrar para Encontrar, iniciaram-se com uma exposição em Trento, com a colaboração do Museu Histórico da cidade (Fondazione Museo Storico del Trentino), que pode ser vista na página virtual.

Chiara Lubich

Chiara Lubich. Foto extraída de um vídeo do Movimento dos Focolares

 

Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, nunca fez votos religiosos, permanecendo solteira e leiga – factos que nem sempre foram bem aceites por várias estruturas do Vaticano. Chiara, como é chamada entre os Focolares, iniciou a nova experiência em 1943, com 23 anos, quando deixou a sua casa e, com algumas amigas, foi apoiar os mais pobres que sofriam com os bombardeamentos da II Guerra Mundial.

Hoje, os Focolares (nome italiano para “lar”) são perto de 150 mil (uns quatro mil em Portugal), e cerca de metade pertence a igrejas e comunidades cristãs não-católicas ou a outras religiões (muçulmanos, judeus, hindus, budistas…). Autora de vários livros, a sua vida e obra estão contadas em Um Povo Nascido do Evangelho (ed. Paulus). Morreu em 2008, aos 88 anos. Na ocasião, o então Papa Bento XVI saudou o “compromisso constante pela comunhão na Igreja, pelo diálogo ecuménico e a fraternidade entre os povos” de Chiara Lubich.

A maioria dos focolares vivem em 780 pequenas comunidades (em 87 países) de homens ou mulheres. A economia de comunhão, que desafia as empresas a partilhar a riqueza com os mais pobres, foi outra das suas propostas.

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