Morreu o dominicano frei Mateus Peres, teólogo moral e exímio pregador

| 20 Jul 20

Frei Mateus Peres

Frei Mateus Peres. Foto: Ordem dos Pregadores

 

O frade dominicano Mateus Peres, especialista em Teologia Moral e que integrou uma geração de católicos marcada por preocupações sociais, políticas e de aprofundamento teológico, morreu na noite de domingo para segunda-feira, 20 de Julho, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Tinha 87 anos e era um exímio teólogo moral e pregador, fazendo jus ao nome da Ordem dos Pregadores a que pertencia.

Nascido a 23 de Abril de 1933, em Lisboa, Mateus Cardoso Peres cresceu com uma geração de intelectuais onde se incluíam Cristovam Pavia, Nuno Portas, Helena Vaz da Silva, João Bénard da Costa, Nuno Bragança, José Escada e muitos outros. Esteve ligado ao início dos cursos de Verão de teologia dos dominicanos, à edição portuguesa da revista Concilium, bem como ao grupo que editou a revista O Tempo e o Modo, ambas na década de 1960.

Oriundo de uma família de nove irmãos, o seu pai, engenheiro electrotécnico, morreu cedo, tendo a mãe e todos os seus irmãos sido acolhidos por um tio materno. Licenciado em Direito, e mais tarde doutorado em Teologia, no Canadá, com um trabalho sobre O Sujeito Moral (publicado pela Universidade Católica), Mateus Peres viveu e trabalhou em várias comunidades dominicanas, tendo chegado a desempenhar cargos institucionais (foi prior provincial, mestre de estudantes e membro da Cúria Geral da Ordem dos Pregadores).

Há longos anos, era ele que assumia a celebração da eucaristia no Mosteiro das Monjas Dominicanas, encerrado há pouco mais de um ano, conforme o 7MARGENS contou na altura. As suas homilias, curtas, incisivas e dotadas de uma grande capacidade de relacionar os textos bíblicos, os quotidianos e as grandes questões do nosso tempo, constituíam um importante momento de reflexão e aprofundamento para as pessoas que ali acorriam.

Nesse mosteiro, programava e animava as “Conferências do Lumiar”, que durante mais de três décadas lançaram mensalmente debates inovadores no catolicismo lisboeta e português. Além disso, como destaca o actual provincial dos dominicanos portugueses, frei José Nunes, Mateus Peres foi convidado para inúmeras conferências e retiros, e chegou a ser presidente da CNIR (Confederação Nacional dos Institutos Religiosos masculinos, que daria lugar à actual Confederação dos Institutos Religiosos Portugueses, depois de se ter juntado ao ramo feminino).

Mateus Peres chegou a leccionar alguns anos na Universidade Católica Portuguesa, além de outros lugares no estrangeiro. “A sua perspectiva foi sempre a de uma séria e honesta busca da verdade, não deixando nunca de dar prioridade ao concreto da pessoa humana em situação, sem abandonar a lei moral objectiva e apresentada pela Igreja”, diz ainda frei José Munes, em nota enviada ao 7MARGENS.

A morte aconteceu depois de quase um mês de hospitalização, após um agravamento do seu estado de saúde, que se vinha deteriorando desde há anos.

O seu corpo chegará, às 12h desta terça-feira, 21 de Julho, ao Convento de São Domingos de Lisboa, onde será celebrada missa às 17h. O funeral sairá depois para o cemitério do Alto de São João, onde está prevista a cremação cerca das 18h30h.

 

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