Núncio de França convoca “mulheres apóstolas” para reunião, depois de uma delas receber ameaças de morte

| 31 Jul 20

mulheres toutes apotres, Foto Twitter Anna Cuxac

Seis das mulheres que apresentaram as suas candidaturas a cargos na hierarquia da Igreja, acompanhadas da teóloga Anne Soupa (a terceira a contar da esquerda). Foto: Twitter de Anna Cuxac.

 

O núncio apostólico (embaiaxador da Santa Sé) em França convocou esta semana para uma reunião as sete “mulheres apóstolas” que no passado dia 22 de julho entregaram as suas candidaturas a cargos reservados aos homens na Igreja Católica. A primeira a ser contactada pelo representante do Papa, Celestino Migliore, foi a teóloga francesa Sylvaine Landrivon, que horas antes tinha recebido uma carta anónima com ameaças de morte.

O gesto do núncio foi acolhido com alegria pelo grupo. “É um passo que não esperávamos. Realmente, é uma boa notícia”, afirmaram, em declarações citadas pelo Religión Digital. O bispo Migliore pretende reunir individualmente com cada uma das candidatas já no próximo mês de setembro.

Mas aquilo que estas sete mulheres também não esperavam era receber cartas anónimas em casa, muito menos ameaçando-as de morte. “Aguardamos impacientes as vossas próximas reformas, o vosso próximo concílio. A Igreja conta convosco. Mas despachem-se, porque é provável que a morte te surpreenda”, pode ler-se na missiva que foi deixada na caixa de correio de Sylvaine Landrivon, uma das sete mulheres pertencentes ao coletivo “Toutes Apôtres” (“Todas Apóstolas!”, em português), que se candidatou ao cargo de bispa.

A carta deixou todas as candidatas em choque, incluindo a teóloga e biblista Anne Soupa, que pertence também ao coletivo, e que no passado mês de maio havia apresentado a sua candidatura para suceder ao cardeal Philippe Barbarin como arcebispo de Lyon.

O facto de que “a nossa simples reivindicação de uma verdadeira igualdade provoque uma tal violência significa que alguns se sentem ameaçados na sua identidade. As mulheres são hoje as reféns desse mal-estar”, denunciou o coletivo num comunicado. Por isso, defendem, é necessário “abrir um debate mais sereno entre todos e todas juntos. Devemos poder construir relações de género que escapem aos jogos de violência, de poder e de hierarquia”.

Desde a entrega das suas candidaturas, o grupo recebeu já “centenas de mensagens de apoio vindas do mundo inteiro”, sublinham, incluindo “apoios surpreendentes”. Também Anne Soupa conta já com mais de 17 mil apoiantes, que deixaram a sua assinatura no site onde foi divulgada a sua candidatura.  A lista de signatários será enviada ao Papa Francisco.

 

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