Um “grito de esperança” de redes cristãs em favor da Palestina

O muro de separação entre Israel e Palestina. Foto Joalpe/Wikimedia Commons
Intitula-se “Grito de Esperança” e pretende ser um apelo urgente de redes e grupos cristãos, para que se ponha fim à actual situação dos palestinianos. Assinada pelo patriarca latino emérito de Jerusalém, Michel Sabbah, e pelo coordenador geral da rede Kairos Global pela Justiça, a petição apela à subscrição de todos os interessados, em apoio dos direitos do povo palestiniano, da justiça e da autodeterminação.
Em declarações citadas pelo Religión Digital, Rifat Kassis explica: “[A Igreja] já não pode manter-se de pé enquanto os líderes mundiais e a comunidade internacional espezinham os direitos do povo palestino à dignidade, à justiça e à autodeterminação no quadro do Direito Internacional. A própria integridade da fé cristã está em jogo.”
O apelo, cujo texto está também disponível em português, considera que se chegou “a um ponto crítico na luta para pôr um fim à opressão do povo palestino”. A adopção da Lei do Estado-Nação, em Israel, em 2018, “legalizou a discriminação institucional em Israel e nos territórios palestinos” e recentes actos da Administração dos EUA deu apoio ao projecto em curso de ocupação de terras da Palestina, em cerca de um terço da Cisjordânia ocupada, incluindo o Vale do Jordão.
Ficou mais claro, com os últimos desenvolvimentos, que acabou a “ilusão de que Israel e os poderes mundiais tenham a intenção de honrar e defender os direitos” dos palestinianos “à dignidade, à autodeterminação e aos direitos humanos fundamentais, garantidos sob o direito internacional, incluindo o direito de retorno a refugiados”.
“É chegado o tempo” de a comunidade internacional, “reconhecer Israel como um estado de apartheid em termos do direito internacional”. E essa é uma realidade que deve levar os cristãos a uma acção decisiva: “A verdadeira essência do ser igreja, a integridade da fé cristã e a credibilidade do evangelho estão em jogo. Declaramos que qualquer apoio à opressão do povo palestino, seja de forma passiva ou activa, através do silêncio, da palavra ou da acção, é um pecado. Afirmamos que o apoio cristão ao sionismo como teologia e uma ideologia que legitimam o direito de um povo para negar os direitos humanos de outro é incompatível com a fé cristã e um grave abuso da Bíblia. Conclamamos a todas as pessoas cristãs e as igrejas nos níveis congregacionais, denominacionais, nacionais e ecuménicos globais a comprometerem-se num processo de estudo, reflexão e confissão concernente à destituição histórica e sistémica dos direitos do povo palestino, e ao uso da Bíblia por parte de muitas pessoas para justificar e apoiar essa opressão.”
“Não podemos servir a Deus se permanecermos em silêncio quanto à opressão dos palestinos”, acrescenta o documento, que cita depois um conjunto de situações em que os cristãos rejeitaram situações de racismo, apartheid ou injustiça. E propõe, a seguir, um conjunto de iniciativas que dêem expressão ao estudo da situação, à afirmação não-violenta do direito à autodeterminação, à acção de governos e organismos mundiais, à oposição ao antissemitismo, antijudaísmo, racismo e xenofobia.
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